Eu fazia jornalismo, mas também militava no Movimento Estudantil Secundarista. eu era um jovem secundarista em Sergipe e era até vice-presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas e participei ativamente no movimento estudantil nos anos 67-68, e essa brincadeira me levou à cadeia. Aí quando veio o AI5 - foi no dia 13 de dezembro de 68 - me prenderam lá em Aracajú, lá no exército. Eu fiquei um tempo em cana.
[...]
Eu era militante do Partido Comunista Brasileiro... moleque, com 17,18,19 anos... aí me prenderam. Aí quando eu saí da cadeia - eu não demorei muito tempo na cadeia, e também não foi uma prisão, se comparar com as outras prisões naquela época... foi uma prisão relativamente tranquila, eu não fui torturado... mas quando eu saí da cadeia eu perdi meu chão, porque o jornal já não me queria, e acho que na época ele fazia até muito bem em não me querer, mas... enfim, o fato concreto é que peguntaram pra mim se eu queria fazer um curso de formação política na antiga União Soviética, e eu corri.[...] Entrei no avião e fui parar em Moscou, onde eu vivi com uma identidade secreta dada pela KGB com o nome de Ivan Nogueira. Vivi um ano e pouco lá e estudei numa escola de jovens comunistas. Estudei lá história da filosofia, história do materialismo histórico, do materialismo dialético... enfim, fiz um intensivo de comunismo.
Em outra parte do relato, Gois conta como voltou ao Brasil com a ajuda do serviço secreto de uma ditadura inimiga, responsável por dezenas de milhões de mortes, depois de ter sido treinado por ela:
"Eu entrei no país [Brasil] pela Argentina, e a KGB inventou que eu estava na França. Toda a minha documentação sobre dia e horário da minha entrada naquele país foi falsificada, o que fazia parecer que eu tinha morado na França e não na URSS."
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