Tuesday, February 12, 2019

Leonardo Attuch, acusado de receber R$ 120 mil roubados de aposentados a mando de tesoureiro do PT, foi crítico do partido antes de entrar em sua lista de pagamento


Em meados de 2016, a Justiça Federal bloqueou 102 milhões de reais dos investigados na Operação Custo Brasil. Entre os alvos da decisão judicial estavam o ex-ministro do planejamento de Lula, Paulo Bernardo, e os ex-tesoureiros do PT, Paulo Ferreira e João Vaccari Neto.

Na lista de 17 nomes também aparece o de um "suposto jornalista" — como o então juiz Sérgio Moro classificou  Leonardo Rezende Attuch nos autos de um processo — que trabalhava como porta-voz do PT através de seu site, o Brasil 247.


De acordo com a Justiça, Attuch recebeu cento e vinte mil reais de Milton Pascowitch, atendendo um pedido de João Vaccari Neto. Segundo depoimento de Pascowitch, não houve qualquer prestação de serviço em troca do valor, e o montante era apenas uma operação para compra de apoio do site ao PT

Mas, como informa Felipe Moura Brasil, nem sempre foi esse o caso. Antes de receber dinheiro do governo e do Partido dos Trabalhadores, tanto de forma legal quanto ilegal, Attuch foi responsável por matérias críticas ao partido, incluindo uma em que acusava o PT de estar mancomunado com os narcoterroristas das FARC.

“Em 1996, a empreiteira Andrade Gutierrez construía uma grande hidrelétrica nos Andes quando dois de seus engenheiros, Eduardo Batista e Demétrio Duarte, foram seqüestrados pelas Farc (…). A empresa acionou o Itamaraty, tudo foi tentado pelas vias diplomáticas, mas os dois brasileiros continuaram em poder dos guerrilheiros durante 207 dias. Só saíram do cativeiro depois que um novo ator entrou em cena: o Partido dos Trabalhadores. Por meio de ‘negociadores’ indicados pelo PT, a Andrade Gutierrez pagou um resgate milionário, o dinheiro foi transportado em malas para a selva amazônica e os engenheiros regressaram ao Brasil.”
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O caso fora relatado a Attuch por um diretor da Andrade Gutierrez, empresa que, mais tarde, abasteceria os cofres petistas com propinas de Petrobras e Belo Monte.
“Do relato do caso, ficaram algumas dúvidas: o dinheiro ficou todo com os guerrilheiros ou foi repartido com o PT? O partido negociava o resgate por razões somente humanitárias ou também comerciais? São perguntas que dificilmente serão respondidas”, avaliava o então repórter, mencionando uma revelação de VEJA:
“Anos mais tarde, na campanha presidencial de 2002, um dossiê secreto da Agência Brasileira de Inteligência, a Abin, insinuou a existência de uma doação de R$ 5 milhões das Farc para as campanhas eleitorais do PT – o caso jamais foi confirmado, mas a suspeita pairou no ar.”
Tanto pairou que eu me lembrei dela nesta semana mesmo, diante da notícia análoga de que a campanha eleitoral de 2007 da ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner, aliada do PT, serviu para lavar dinheiro do tráfico de drogas da Venezuela, segundo Ibar Pérez Corradi, preso no Paraguai sob acusação de assassinatos.
Corradi disse que o dinheiro do tráfico era enviado pelo ditador Hugo Chávez – aquele mesmo que confessou ter conhecido um dos comandantes das Farc, Raúl Reyes, em encontro do Foro de São Paulo em meados da década de 90 em El Salvador.
Embora o PT negue até hoje, Attuch apontava até que as Farc eram parceiras do PT no Foro.
“De todo modo, a hipótese de ligação entre o PT e a guerrilha também foi reforçada pelo fato de que os dois grupos são fundadores do Foro de São Paulo, uma organização criada em 1990 para unir as esquerdas latino-americanas, cujo maior ideólogo é Marco Aurélio Garcia, assessor especial do presidente Lula para temas internacionais.”
O grifo nem é meu. É da própria matéria original.
Três anos depois, em 2011, Attuch criava o Brasil 247, cujos patrocínios em verbas publicitárias de estatais controladas pelo PT foram crescendo até chegar ao montante milionário que Dilma Rousseff tentou lhe garantir para 2016 às vésperas do impeachment, mas o governo Michel Temer felizmente cortou: R$ 2.192.687,13.
O repórter que desconfiava da “missão humanitária” do PT na selva passou a receber uma senhora “ajuda humanitária” dos governos do PT.

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