O texto, de forma geral, é apenas uma peça de propaganda que visa vender o produto e a ideologia que o motiva. Justifica revisionismo histórico sem base e até mudança da cor do terrorista, que era filho de pai italiano e mãe negra, e identificado em seus próprios documentos como "branco".
Carlos Marighella não era branco, mas, pelo mesmo padrão, obviamente também não era negro.
A 'negrificação' do mulato Marighella tem clara motivação política e é vista como um ponto positivo por Ghetti:
"a escolha por um homem negro quase sem traços perceptíveis de miscigenação é um acerto, se a observamos enquanto um ato político da parte de Moura. Cria um herói negro e ciente (além de orgulhoso) dessa sua ancestralidade. Uma opção que vem a calhar: o filme "Marighella" é fundamentalmente sobre tomadas de posições."
Mas o pior fica para o final.
Bruno Ghetti não só humaniza um terrorista violento e assassino, como chega ao cúmulo de classificá-lo como um "humanista":
Sim: é um diálogo claro com a plateia de esquerda. Mas o filme não é de nicho: é importante para qualquer brasileiro, seja qual for sua inclinação política. O espectador não precisa comprar a ideia de que Marighella foi um santo - até porque o filme jamais se propõe a vendê-la. Quer transmitir, no entanto, a ideia de que ele apenas não foi um monstro, mas um ser humano capaz de errar, de ser truculento e de cometer assassinatos e violências variadas. Só que, acima de tudo, foi um homem fiel aos seus princípios. E, a seu modo, um humanista.
Mao e Pol Pot, Stalin e Hitler também foram fiéis a seus princípios. Será que, "a seu modo", cada um deles não foi também um humanista?
O filme - ao contrário do que diz Ghetti - é de nicho. Seu público é tão restrito que não engloba nem a totalidade da esquerda que o diretor Wagner Moura buscou cortejar. A glorificação de um terrorista assassino que vitimou mulheres e inocentes em busca de uma ditadura socialista é algo que só encontra eco em grupelhos radicais.
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Uma das vítimas do "humanista" Marighella:
No dia 19 de março de 1968, o jovem Orlando Lovecchio, com 22 anos, estacionou seu carro na garagem do Conjunto Nacional, na avenida Paulista, em São Paulo, onde ficava o consulado americano. Viu um pedaço de cano, de onde saía uma fumacinha. Teve uma ideia generosa: avisar um dos seguranças; vai que fosse um reator com defeito… É a última coisa de que ele se lembra. Era uma bomba. A explosão o deixou inconsciente. Dias depois, teve parte de uma das pernas amputada.

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