Tuesday, March 19, 2019
Mariana Godoy e Cuba: clichês com profundidade de um meme
"Não pagam nada para comer"
Mensalmente, o Estado garante para cada pessoa, a baixo custo, por meio da caderneta de racionamento, os seguintes itens: 2,25kg de arroz, 450g de feijão, 225ml de óleo de cozinha, 1,8 kg de açúcar e 675g de frango.
Alimentando-se uma vez por dia, esta quantidade duraria aproximadamente 10 dias.
Como a cota é insuficiente para suprir as necessidades do mês inteiro, as famílias cubanas precisam comprar mais alimentos em mercados a preços que não são subsidiados, o que representa um alto custo em um país onde o salário é, em média, 19 dólares (R$ 71,25) por mês.
"Não pagam nada para estudar"
Qualquer cubano (dependendo da média e dos resultados nas provas de vestibular) pode entrar na universidade, mas a educação superior tem um preço. Uma vez que o estudante se gradua, ele deve trabalhar para o Estado por 3 anos se for mulher e 2 anos se for homem (já que o homem já faz 1 ano de serviço militar).
Este período é conhecido como “Serviço Social”. O Serviço Social é obrigatório. Trabalha-se por um salário mínimo (cerca de 9 dólares) e o local de trabalho é determinado pelo governo. Se um recém-graduado não cumpre com o Serviço Social, o Ministério da Educação Superior invalida seu diploma universitário.
"Não pagam nada para morar"
Parece que a jornalista nem sequer tem acesso ao conteúdo da emissora onde trabalha. Eis aqui uma reportagem exibida na Rede TV! mostrando as condições de vida extremas e "moradias precárias" da população cubana.
O embargo americano nunca impediu que Cuba se relacionasse comercialmente com todos os outros países do planeta.
O embargo é um grupo de medidas e leis que proíbem empresas e cidadãos norte-americanos de firmar acordos comerciais com os cubanos residentes na ilha e com o governo. Existem, no entanto, “ressalvas” para diversas empresas americanas de alimentos, que têm permissão para negociar com o governo cubano.
O embargo esteve presente desde o início da “revolução” e um de seus principais motivos foi o confisco generalizado de propriedades privadas de muitos norte-americanos na ilha, que nunca foram indenizados pelo estado cubano. Desde então, este embargo, rebatizado pelo governo cubano como “bloqueio”, tem sido o argumento para justificar todos os fracassos e erros na política econômica, social e administrativa do governo de Cuba.
Cuba não pode comercializar apenas com os Estados Unidos (mesmo os Estados Unidos sendo o principal comprador de medicamentos do país). Aproximadamente 40% do comércio exterior de Cuba é com a Venezuela e países como China e Brasil têm fortes laços comerciais e financeiros com a ilha. Outros países têm total liberdade para realizar acordos econômicos com Cuba, mas exigem o pagamento em dinheiro, devido a constante falta de cumprimento nos pagamentos.
Existe também outro bloqueio que é o que verdadeiramente afeta o povo cubano: é o bloqueio interno do governo para evitar que algum cubano progrida economicamente. Por exemplo, a nova Lei de Investimento Estrangeiro aprovada em meados de fevereiro de 2014, permite a qualquer pessoa deste planeta investir na economia ilha. No entanto, não há nenhuma Lei de Investimento simples que permita que os cubanos que vivem em Cuba possam investir na economia de seu próprio país.
O governo permite apenas uma pequena atividade privada (chamada por lá de “cuentapropistas“, que são aqueles que trabalham por conta própria), mas apenas 178 atividades estão permitidas. Entre essas atividades estao cabeleireiro, cozinheiro, jardineiro, "motorista" de veículos de tração animal, costureira, e até vender CDs pirata.
*Os “cuentapropista” geralmente são do setor informal da economia cubana, trabalham por conta própria. Em sua grande maioria são homens que desenvolvem atividades no setor agropecuário e de serviços e mulheres do setor de pequenas vendas e serviços.
Os cuentapropistas vêem “bloqueado” seu desenvolvimento pelo próprio governo cubano. Não podem ter acesso a crédito financeiro, ao contrário das empresas estatais, não tem acesso a matérias primas necessárias para desenvolverem seu trabalho (farinha para fazer pão é vendida somente para empresas estatais, por exemplo) tem taxas de imposto sobre renda similares ao nível da Suécia e Áustria (50% se ganhar mais de 160 dólares por mês).
Proibições em Cuba, que limitam o progresso, estão à ordem do dia: preço de automóveis, preços dos imóveis, salários miseráveis, internet proibida, acesso limitado a informação, ausência de liberdades políticas, impossibilidade de exportar e importar bens… falamos sobre isso em As 25 proibições mais absurdas em Cuba, vale a pena ler também.
E para finalizar, deixo uma pergunta: Por que Cuba, sendo uma ilha não conta com uma indústria pesqueira?
O “bloqueio” norte-americano sem dúvida impacta os preços de determinados bens, mas o bloqueio interno é o que verdadeiramente impede o desenvolvimento do país.
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