De acordo com a jornalista, em texto publicado no Estadão, houve um aumento de 51% no número de cadeiras ocupadas por mulheres no Congresso em 2019: das 513 cadeiras, 77 são agora ocupadas por mulheres, em comparação às 51 eleitas nas eleições de 2014.
Mas para Hannah o crescimento não deve ser necessariamente visto como positivo, pois "esse aumento quantitativo precisa ser qualificado, uma vez que os dados apontam para um crescimento também na quantidade de mulheres filiadas a partidos extremamente conservadores, como o PSL”. Ou seja: se mulheres conservadoras são eleitas, o aumento é um retrocesso. Note também a adjetivação excessiva. Não é o bastante classificá-las como conservadoras ou de direita, elas são filiadas a partidos "extremamente conservadores".
E qual seria o aumento desejado, aquele que traria o "avanço"? Fica claro pelos termos usados que seria um com a defesa da pauta feminista. Uma comparação que esclarece a questão:
Ao falar das pautas da esquerda
Quando falamos em direitos das mulheres, geralmente é feita uma associação direta a pautas feministas, tais quais a descriminalização do aborto, a equiparação salarial entre gêneros, a autonomia sobre o próprio corpo"
Das conservadoras
A principal pauta defendida por essas mulheres é a criminalização do aborto, a qual se associa na visão delas à “defesa da vida“.
Por que a posição das conservadoras sobre o aborto é caracterizada com a expressão "na visão delas", enquanto a posição das feministas é oferecida sem nenhum tipo de restrição, como uma questão acima de qualquer debate ou como mera exposição de fato?
Que o aborto extermina uma vida é, de acordo com a ciência, um fato inegável. De acordo com a fetologia, biologicamente, um feto nunca pode ser considerado um mero apêndice da mãe.
Por esse padrão, a expressão deveria ter sido usada justamente no primeiro caso, considerando que tratar o aborto como uma simples questão de "autonomia sobre o próprio corpo", sem aceitar que há ali uma segunda vida, é cientificamente inaceitável.
Outro trecho que deixa o ponto claro é a defesa da "ideologia de gênero" contra o posicionamento das conservadoras:
Por outro lado, a divisão que parece ser o principal desencontro entre as deputadas e em relação aos movimentos sociais é o combate à chamada “ideologia de gênero”. Esse termo, que consiste por si só em uma construção ideológica deturpada, é utilizado para desqualificar os avanços dos movimentos feministas e LGBT e pode ameaçar seriamente as conquistas desses grupos.
Não há aí qualquer interesse em fazer uma exposição, por mínima que seja, dos argumentos contrários, e nem de tentar entender o posicionamento das deputadas conservadoras — simplesmente descrito como um espantalho, "uma construção ideológica deturpada, utilizada para desqualificar os avanços dos movimentos feministas e LGBT e pode ameaçar seriamente as conquistas desses grupos".
Deturpada de que maneira? O texto não diz. Mas deixa claro que é algo ruim, que desqualifica os "avanços" e "conquistas" — termos positivos — desses grupos.

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