Wednesday, January 9, 2019

Racismo e imigração (1949)

“Esta é uma raça diferente de qualquer outra que tenhamos visto antes. Eles dizem que há diferenças entre pessoas da Tripolitânia, Marrocos, Tunísia e Argélia, mas não posso dizer que aprendi quais são e, se de fato existem. Eles dizem, por exemplo, que os tripolitanos e os tunisianos são “melhores” do que os marroquinos e argelinos, mas é o mesmo problema com todos eles… A primitividade dessas pessoas é insuperável. Como regra geral, eles são apenas um pouco mais avançados do que os árabes, negros e berberes em seus países [...] Os [norte] africanos trazem seus costumes com eles onde quer que se estabeleçam. Não é de surpreender que a taxa de criminalidade no país esteja aumentando [...] acima de tudo, há um fato igualmente grave, e essa é sua total incapacidade de se ajustar à vida neste país e, principalmente, sua preguiça e ódio por qualquer tipo de trabalho. 
- Arye Gelblum, Haaretz, 22 de abril, 1949.

O ano de 1949 viu o início de uma das maiores ondas imigratórias da história de Israel. Judeus de países islâmicos, vítimas de perseguições por parte de estados árabes e de suas populações, em represália a vitória israelense na guerra de independência, um ano antes, buscavam abrigo no novo país.

 Campo de refugiados judeus em Rosh ha'Ayin (1950)


Neste mesmo ano, Arieh Gelblum, jornalista do Haaretz, se disfarçou de refugiado a fim de obter uma experiência em primeira mão sobre os novos imigrantes. Seguindo estas impressões ele publicou uma série de artigos no Haaretz intitulados "Por um mês fui um novo imigrante...". Esses artigos atacavam virulentamente os chamados judeus orientais, nativos do Levante e, principalmente, os do norte da África. As críticas, abrangentes e generalizadas, iam de aspectos culturais e costumes até sua aparência e caráter. Entre as características que ele atribuiu aos imigrantes estavam o analfabetismo e o ódio a educação, a ociosidade e o ódio ao trabalho, a violência e a tendência a cometer crimes.

A principal preocupação de Gelblum era que a imigração em massa de judeus de países árabes levaria a uma "levantinização do Estado", o que acabaria por destruí-lo.

"האמת על החומר האנושי"
Primeiro artigo da série (13 de abril, 1949)







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