Sunday, April 14, 2019

Leandro Demori se envergonha ao debater sobre democracia

Emílio Surita aponta o óbvio para o jornalista do Intercept Leandro Demori, que demonstra a necessidade de aulas de cívica no curso de jornalismo:

Nihil est incertius vulgo, nihil obscurius voluntate hominum, nihil fallacius ratione tota comitiorum
(“Nada é mais incerto do que as massas, nada mais obscuro do que a vontade pública, nada mais falacioso do que todo o sistema político”)

Democracia direta, como já diziam os fundadores dos EUA, é tirania da maioria. Iluministas, filósofos gregos, a Bíblia... todos criticam esta forma de governo por este motivo.

Em um regime democrático, tendo 50% + 1 dos votos, a decisão se torna lei. Não importa, inclusive, se essa maioria tenha decidido esbulhar a minoria – o sistema atual de impostos faz exatamente isto.
Numa república, como os EUA, não é a maioria que conta, senão para decisões pontuais: o respeito à gestão da coisa pública é mais importante do que qualquer maioria.

Já em um governo inspirado por ideais bíblicos – seja ele uma monarquia, república ou uma federação tribal –, a vontade popular fica subordinada a valores como Justiça e Verdade.


Sobre a democracia:
A América não é uma democracia
What's Gone Wrong With Democracy? 
O que é a tal “democracia” que o PT tanto defende?
Benjamin Franklin Had It Right 

Saturday, April 13, 2019

Fabio Pannunzio: jornalismo ou maledicência?

Fabio Pannunzio, o jornalista que tietou Boulos (PSOL) depois de mediar debate de presidenciáveis, que ofendeu eleitores de Bolsonaro e acusou uma suposta "perseguição religiosa" para defender João de Deus, age como Ricardo Noblat e faz acusação leviana por meio de insinuações sem nenhuma base factual:


Como bom jornalista que é, ele não traz nenhuma informação ou comentário pertinente, só maledicência a fim de minar um opositor político.

Qual é o sentido desta mensagem? Insinuar que Bolsonaro mandou matar Marielle? Que para isso usaria justamente um vizinho, deixando assim o rastro mais óbvio possível?




O óbvio intuito é difamar, mas com "responsabilidade jurídica". Aproveitar a narrativa de ligação de Flávio Bolsonaro com milícias criada pela imprensa para insinuar que os Bolsonaro tiveram alguma ligação com a morte da vereadora.


Portal Terra distorce declaração de Sergio Moro sobre morte de músico pelas mãos de militares

Como o portal noticiou a declaração do ministro:


O que a matéria diz:


Método usado pelo Terra para chegar na manchete escolhida para apresentar a matéria:


Sergio Moro expõe pesquisa do Datafolha sobre o pacote anti-crime como uma fraude


Moro, que afirmou que a pesquisa é "malfeita e não considera o projeto", publicou uma série de tuítes explicando as falhas e distorções promovidas pelo instituto do grupo Folha de S. Paulo:

Pesquisa do Datafolha rendeu manchete na Folha de São Paulo, “maioria é contra pontos-chave de pacote anticrime de Moro”. Bem, nenhuma das perguntas feitas na pesquisa diz respeito a medidas constantes no projeto de lei anticrime.

Por exemplo, nada há no projeto que defenda licença para policiais atirarem em inocentes ou mesmo em suspeitos ou que episódios assim não devam ser investigados. Em nenhum lugar defende-se que pessoas simplesmente por estarem nervosas possam atirar em alguém e permanecer impunes.

Pesquisas de opinião são importantes para auxiliar na construção de políticas públicas. Ainda espero que alguma possa ser feita sobre o projeto de lei anticrime e seus pontos chaves: medidas simples e eficazes contra corrupção, crime organizado e crimes violentos.

Uma sugestão: perguntar sobre a opinião das pessoas acerca da execução imediata da condenação criminal após julgamento por Corte de Apelação, um ponto fundamental do projeto. Acusados poderosos manipulam o sistema recursos para evitar punição mesmo quando culpados.

Ou se homicidas e feminicidas devem ser presos logo após a condenação por um Tribunal do Júri ou se devem esperar o trânsito em julgado que pode levar vinte ou trinta anos. Outro ponto importante do projeto.

A pesquisa mal feita apenas reforça a necessidade de continuar explicando aqui no Twitter o projeto de lei anticrime. Volto às explicações em breve.

O Datafolha diz que a maioria dos brasileiros é contra pontos-chave do pacote anticrime de Sergio Moro.

Por exemplo: 64% dos brasileiros consideram que a posse de armas deve ser proibida, 72% consideram que a sociedade não fica mais segura com pessoas armadas, 79% consideram que mortes efetuadas por policiais devem ser investigadas.

Curiosamente, nenhum desses pontos faz parte do pacote anticrime...


Quanto aos números, é importante lembrar que o Datafolha desinformou sobre o mesmo assunto no referendo de 2005, quando o instituto mostrou uma oposição de 80% que em menos de três meses se mostrou uma vitória acachapante em favor da flexibilização da venda de armas.


Datafolha e o desarmamento: pesquisa ou tentativa de manipular a opinião pública?


O Datafolha é um instituto de pesquisas do Grupo Folha, conjunto de empresas coligadas do qual o jornal Folha de S.Paulo faz parte. Fundado em 1983, como departamento de pesquisas da Folha da Manhã, estabeleceu-se com estrutura independente para atender a clientes externos em 1990. Em 1995, foi transformado em unidade de negócios do Grupo Folha.

Pesquisas eleitorais são confiáveis? Elas influenciam o voto?

Estudos que lidam com a "opinião pública" em períodos eleitorais mostram que pesquisas podem causar alguns efeitos sobre a decisão do eleitor. 

Um deles é o chamado bandwagon effect, quando a pressão da opinião da maioria leva eleitores indecisos a optar pelo candidato que está em primeiro nas intenções de voto. Outro, que é menos decisivo e influencia menos o eleitor, é o underdog effect, quando o candidato pior colocado nas intenções tende a ganhar alguns votos. 
Há também o efeito chamado “voto útil”, no qual o eleitor escolhe uma segunda opção para não “perder” o seu voto e, como critério, escolhe entre os candidatos que estão na frente nas pesquisas. Este é, talvez, o efeito que mais influencia o eleitor.

O voto útil (também conhecido como estratégico ou tático) é um voto motivado pela intenção de afetar o resultado da eleição (Blais e Nadeau 1996; Cox 1997; Blais et al., 2001). Segundo estudos, cerca de 5% dos eleitores votam estratégicamente (Alvarez e Nagler 2000, Blais et al., 2001). 


As pesquisas afetam as considerações porque são baseadas em expectativas sobre o resultado da eleição. Elas podem levar as pessoas a não votarem em um determinado candidato porque mostram qué improvável que ele ganhe, ou a votar em outro, mesmo questcontcom menos indentificação, por ter mais chances de ganhar de um terceiro candidato que porventura esteja na dianteira e seja considerado pior.

Pesquisas no Brasil, principalmente as conduzidas pelos institutos Ibope Datafolha, são conhecidas por apontar com uma frequência preocupante uma intenção de voto muito menor para candidatos de oposição ou de fora do establishment político, e quase sempre muito acima da margem de erro. 
O Datafolha, por exemplo, errou 63% dos resultados no primeiro turno das eleições 2014.

Prefeitura do Rio de Janeiro, 2016
A última pesquisa do Datafolha antes do primeiro turno apontava o seguinte (resultado  oficial da eleição em vermelho):

Marcelo Crivella (PRB):             27%   27,78%
Pedro Paulo (PMDB):                10%   16,12%
Marcelo Freixo (PSOL):             13%   18,26%
Flávio Bolsonaro (PSC):             7%    14%
Jandira Feghali (PC do B):          6%     3,34%
Carlos Roberto Osório (PSDB):   8%      8,62%
Índio da Costa (PSD):                9%      8,89%

A margem de erro da pesquisa era de 2%, para mais ou para menos, e quatro candidatos tiveram votação acima ou abaixo dela: 

                    com margem de erro  /   Total

Pedro Paulo               +4,12%          +6,12% 
Jandira Feghali           -0,66%           -2,66%
Bolsonaro                  +5%              +7%
Marcelo Freixo           +3,26%.         +5,26%

Uma matéria da Folha de São Paulo levanta a questão:
Freixo, por sua vez, pode ganhar força no pedido de "voto útil de esquerda". O candidato do PSOL via Jandira se aproximar numericamente, mas a distância entre os dois foi para três pontos percentuais. Embora, na prática, o empate técnico se mantenha, a diferença pode pesar no argumento para convencer os eleitores.

O "voto útil" pode até explicar a diferença entre a intenção de votos na pesquisa do Datafolha e o número de votos obtidos pelos candidatos Pedro Paulo, Jandira Feghali e Marcelo Freixo. Mas como explicar uma diferença tão grande entre a pesquisa e o resultado obtido por Flávio Bolsonaro? Como um candidato embolado no meio da tabela e tecnicamente empatado com outros candidatos que, de uma forma ou outra, representavam uma oposição as posições extremadas da esquerda de Freixo foi capaz de crescer tanto assim, ainda mais sem que seus competidores diretos pelos votos da oposição perdessem os seus?   

Fontes
[1] [2] [3] [4] [5]

Antagonista distorce fala de Bolsonaro sobre morte de músico pelas mãos de militares

Como o site noticia:
‘O Exército não matou ninguém’, diz Bolsonaro sobre morte de músico no Rio.


O que Bolsonaro realmente declarou:


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