Após muitas negativas de Felipe Moura Brasil, o óbvio se confirmou. A defesa ferrenha de Bebianno por parte da imprensa — e dos membros do programa Pingos nos Is em particular — se deveu a laços com o político.
Augusto Nunes, que comanda a bancada na qual participam também Felipe Moura e José Maria Trindade, depois de muito relutar, confirmou laços e uma relação de "confiança" com Bebianno.
No dia anterior, o jornalista foi responsável por uma defesa vergonhosa do político acusado de participação em esquema de laranjas no PSL, partido que presidia. Apesar de todos os indícios apontando para a responsabilidade de Gustavo Bebianno, bastou que Bivar, seu companheiro de partido, assumisse a responsabilidade para que o jornalista desse o caso por encerrado, sem se aprofundar nos detalhes, avaliar a veracidade das afirmações de Bivar e da extensão da real participação de seu protegido no caso.
Bebianno é acusado de outras ilicitudes, mas Augusto, Felipe e a impresa não parecem preocupados em questioná-lo sobre os casos.
A revelação expõe a hipocrisia de Felipe Moura Brasil, que, em um tuíte convenientemente deletado, atacava quem afirmava que a defesa de Bebianno por parte de jornalistas se devia a interesse por manutenção de fonte. Durante seu 'surto' Felipe publicou dezenas de tuítes. Grande parte, incluindo ameaças de processo contra críticos e ataques a "Carluxo", foi apagada sem qualquer explicação do jornalista.
Um dos muitos tuítes apagados por Felipe durante seus dias de fúria e ego ferido
"Responsabilizar o Bebianno por este fato é absurdo e todos sabem disso, inclusive o presidente Bolsonaro. Ele fo presidente em exercício durante a campanha eleitoral do PSL para cuidar exclusivamente da campanha presidencial e de questões pontuais que surgissem em alguns estados.
Como ocorre em qualquer partido, não é o diretório nacional que decide quem vai receber quanto entre os candidatos. Quem decide isso é o diretório regional
No caso de Pernambuco, onde apareceram candidatos nesta situação - receberam muito, não tiveram voto nenhum -, aí está claro que isso foi feito pelo dono do PSL, que retornou à presidência, e que é Luciano Bivar. É coisa dele e todo mundo sabe disso -- aliás, o Bivar assumiu a responsabilidade pela distribuição das verbas e Pernambuco. Isso ocorreu em todos os estados.
Ainda assim, Carlos Bolsonaro, num tuíte publicado ontem, qualificou Gustavo Bebianno de mentiroso, porque o ministro havia dito que conversara... no... no... que havia dito que tudo estava bem no governo. Ele havia conversado com o presidente 3 vezes anteontem. Ele conversou 3 vezes com o presidente, de fato. Só que ele conversou trocando mensagens pelo Whatsapp, como acontece rotineiramente aí no Brasil inteiro, no mundo inteiro.
Para o presidente Bolsonaro e para o filho, isso não é conversar. Eles disseram que o Bebianno tinha dito que ele havia conversado por telefone. vle não usou este 'por telefone' em frase nenhuma. Disse apenas que havia conversado."
O argumento usado por Augusto Nunes para defender Gustavo Bebianno foi o
de que, como presidente em exercício do PSL durante o período
eleitoral, o político foi posto no cargo "para cuidar exclusivamente da
campanha presidencial e de questões pontuais que surgissem em alguns
estados" e que a declaração de Bivar seria o bastante para resolver o caso. Não é, como mostra a denúncia feita por Coronel Meira, candidato em Pernambuco:
"Um esquema milionário para rifar candidaturas pelo Brasil em troca de dinheiro. É o que denuncia o Coronel Meira, candidato a deputado federal pelo PRP em 2018.
Em entrevista ao “Portal de Prefeitura”, Meira afirma que sua candidatura ao governo de Pernambuco foi retirada pelo PRP após negociação feita entre o presidente estadual da legenda, Ernesto de Paula, e o PSB do governador Paulo Câmara. Tudo teria sido apadrinhado pelo presidente nacional da legenda, Ovasco Resende, ao custo de R$ 1,5 milhão.
Segundo Meira, também participaram da negociação, que ele chama de “quadrilha” responsável por orquestrar as eleições no Nordeste, Julian Lemos (PSL), Gustavo Bebianno, Antônio de Rueda (PSL) e o deputado federal Luciano Bivar, presidente do PSL, que teria arrebatado um terreno no Recife Antigo como pagamento das negociações.
A manobra fez o PRP retirar a candidatura de Coronel Meira, passando a integrar a base de apoio do socialista Paulo Câmara, reeleito governador.
Além da negociação no estado de Pernambuco, Bivar também teria rifado a nomeação do General Augusto Heleno (PRP) ao cargo de vice-presidente na chapa do Presidente Jair Bolsonaro (PSL), que segundo Meira, não sabia das negociações."
Tanto Augusto Nunes quanto Felipe Moura Brasil ignoraram o caso durante entrevista com Bebianno hoje.
Augusto também desinforma quando fala sobre a atuação de Carlos Bolsonaro no caso.
O vereador carioca, ao desmentir Bebianno publicamente, classificou como mentira que "Gustavo Bebbiano [sic] ontem teria falado 3 vezes com Jair Bolsonaro para tratar do assunto citado pela Globo e retransmitido pelo Antagonista". Ou seja, o 'laranjal'.
Carlos não negou que tivesse havido comunicação entre o pai e Bebianno, apenas se limitou a negar que tivesse relação com as denúncias de atos ilícitos.
Após o processo público de fritura sofrido por Gustavo Bebianno, da Secretaria-Geral da Presidência, motivado por relação com o suposto "laranjal do PSL" e desconfiança do núcleo militar e familiar do governo, a imprensa, em uníssono, começou a atuar como relações públicas do político - reforçando assim a desconfiança do presidente e de seus apoiadores de que o ministro era fonte de jornalistas.
Entre os mais ativos no esforço de mudança da narrativa estava o portal O Antagonista. Várias dezenas de notas foram publicadas em poucos dias, todas mostrando Bebianno por um ângulo positivo ou atacando quem pensavam ser seu crítico, Carlos Bolsonaro.
"Os mundos político, militar e econômico passaram o dia crucificando Carlos Bolsonaro por ter tido a audácia e o voluntarismo de atacar um ministro. Mas a história é diferente. Primeiro, o presidente desmentiu Bebianno ao gravar a entrevista para a TV Record ainda no Hospital Albert Einstein. Só depois, enquanto o presidente voava para Brasília, Carlos divulgou o desmentido do pai pelo twitter, inclusive com o áudio em que ele se recusa a falar com Bebianno. Por fim, Bolsonaro retuitou o ataque de Carlos.
Ou seja: todo mundo incomodado, aflito e preocupado com o ato de Carlos, mas o problema era outro: não foi o filho quem gerou o problema, nem foi o pai quem tomou partido dele a posteriori. Foi o presidente quem atacou o ministro, Carlos só amplificou a posição do pai. Logo, Carlos não age da própria cabeça, ele é a voz do presidente."
Um ponto esclarece bem a questão: a diferença no tratamento
dispensado ao ministro Bebianno, contra quem existem reais suspeitas de atos ilícitos, e aos outros membros do governo.
Para notar algo fora do comum, basta
comparar a cobertura do caso Gustavo Bebianno pelo Antagonista, com viés
claramente positivo, com as notas geralmente publicadas por Diogo
Mainardi, cheias de insinuações, cutucadas e repetições de clippings
negativos sobre Damares Alves, Onyx Lorenzoni e outros ministros.
"Não sou moleque, e o presidente sabe. O presidente está com medo de receber algum respingo"
Notas publicadas pelo Antagonista apenas no dia 15, em um período de 2 horas e 25 minutos (entre 6:20 e 8:45 da manhã)
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Curiosidade: Por que as notas d'O Antagonista ilustradas com foto de Jair Bolsonaro têm sempre o político tocando os lábios?
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Coube a Felipe Moura Brasil, funcionário mais novo do portal, a defesa do modus operandi do grupo. As críticas, justas ou injustas, não tardaram a chegar. O jornalista não lidou bem com elas.
Felipe tuitou durante durante toda a noite e boa parte da madragada, com apenas 5 horas de interrupção, se dividindo entre uma tentativa quase obsessiva de provar seu ponto e outra de classificar toda e qualquer crítica como ações de uma "patrulha" formada por "fanáticos" e "histéricos", frequentemente traçando paralelos com petistas.
Curiosamente, mesmo críticas com declarações de confiança, apreço e com pequenas ressalvas quanto ao tratamento dado ao assunto em questão foram tratadas por ele como absurdas e ataques mal disfarçados contra seu caráter e motivações.
Já as críticas mencionando o duplo padrão na cobertura d'O Antagonista em relação a Bebianno e outros membros do governo foram solenemente ignoradas, assim como as perguntas sobre a atuação de Gustavo Bebianno com relação ao "laranjal do PSL", partido presidido por ele na época.
Bebianno, antes descrito pela imprensa como tendo uma personalidade centralizadora e autoritária, foi alvo de notas na FolhaPainel em um passado não tão distante. Seu gerenciamento, que hoje está no centro do tal laranjal do PSL, era questionado por diretórios e membros do partido. Agora ele nega, seu amigo Luciano Bivar assume a responsabilidade e a questão é sumariamente varrida para debaixo do tapete midiático...
O Antagonista chegou a comemorar a permanência de Gustavo Bebianno
A gíria “selva” é usada por soldados e majores como forma de cumprimento, interjeição. A expressão substitui “OK”, “Tudo bem”
Guilherme Macalossi, corporativismo e incapacidade de lidar com críticas
Ao publicar em seu Twitter links para os áudios vazados por Gustavo Bebianno sobre trocas de mensagens entre ele e Jair Bolsonaro, Bergamo afirma que "o presidente diz que não houve conversa".
A afirmação é mentirosa. Quem veio a público desmentir o ex-ministro foi o filho de Bolsonaro, Carlos, que afirmou claramente que os dois não se falaram "para tratar do assunto citado pela Globo e retransmitido pelo Antagonista" -- a acusação de que Bebianno, como presidente do PSL, estava por trás de repasses de centenas de milhares de reais para "candidatos laranjas".
E mais: nos áudios, Bebiano fala em ''ataques sofridos por parte do Carlos'', logo subentende-se que a conversa aconteceu DEPOIS do tuíte que negava publicamente a conversa.
Atualização (19/2) Felipe Moura Brasil apaga tuíte sem oferecer nenhuma explicação
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Passados três dias desde o 'surto' de Felipe Moura Brasil, por conta das críticas sofridas na cobertura do caso Carlos Bolsonaro x Gustavo Bebianno, parece que o jornalista ainda não superou o episódio.
Felipe continua tuitando obsessivamente sobre Carlos e culpando-o por acontecimentos sem nenhuma relação com o vereador.
Tuíte publicado por Felipe no dia 18 de fevereiro:
Entre as razões oferecidas por seus própios leitores, que comentaram mais do que curtiram a publicação, estão:
O posicionamento do mercado esperando o texto da reforma da previdência, que será apresentado em dois dias.
O feriado nos Estados Unidos, que reduziu o volume de negócios no Brasil, além de vencimento das opções, que normalmente representam dias de baixa.
O caso Bebianno, considerado a causa da queda por Felipe, teve seu início com Carlos Bolsonaro desmentindo publicamente o agora ex-ministro no dia 13 de fevereiro. Mas logo no dia seguinte a Bolsa subiu, como mostra o site Bloomberg:
O Ibovespa fechou em alta de mais de 2% hoje (14), ampliando os ganhos no final da sessão depois que o presidente Jair Bolsonaro aprovou o texto da reforma da Previdência que será enviado ao Congresso no próximo dia 20, bem como encerrou o impasse sobre a idade mínima que vinha causando ruídos.
O mesmo site explicou a baixa do dia 15 como resultado da queda nas ações de empresas de ensino após anúncio de investigação de indícios de corrupção no Ministério da Educação, popularmente conhecida como "Lava-jato da educação".
O site, que não aponta o culpado pela queda na segunda-feira (18/2), se limita a mencionar que o dia foi "marcado pelo vencimento dos contratos de opções sobre ações, com ruídos na cena política e menor liquidez pela ausência de Wall Street".
A única avaliação sobre o caso vem através da publicação da opinião da equipe da Coinvalores, que considera a possibilidade da crise envolvendo Bebianno atrapalhar o rali relacionado às expectativas sobre a reforma da Previdência, “com o ‘sai, não sai’ e o ‘falou, não falou’ dos últimos dias”.
O jornalista conhecido como "garoto de recados" e criador de fofocas tiradas de sua imaginação quer causar cizânia, mas só se prova um eficiente motoboy de treta da isentolândia
Felipe Moura Brasil pertence à distinta classe daqueles que não possuem grande nome, mas se destacam por terem grandesobrenome. Sem precisar apresentar grandes atributos naturais e talentos conquistados com esforços como os comuns mortais, pôde se destacar na grande e velha mídia pelos nobres feitos de nascer em uma família proeminente.
Após alçar alguma relevância ao editar um livro de Olavo de Carvalho quando o filósofo havia se tornado reconhecido como o maior analista da situação política e cultural do país, Felipe Moura Brasil, oJuveninho, até lhe dedicou o“Soneto do Estudante Sério”, e logo foi contratado nos estertores da ex-revista Veja para escrever um blog quando Reinaldo Azevedo começava sua espiral descendente rumo ao seu próprio ego. Terminou sendo contratado por O Antagonista e pela Jovem Pan.
Recentemente, Moura Brasil preferiu abandonar o caminho do, digamos, “estudante sério” para trilhar não mais o rumo que lhe cabe – editar idéias alheias muito superiores às suas –, preferindo renegar Olavo de Carvalho publicamente em entrevista a Danilo Gentili e satisfazer a interesses quepor mera coincidênciasão os mesmos daqueles que muito lucrarão com a destruição do primeiro governo conservador do país.
Não é, afinal,pormera coincidênciaque um dos primeiros atos de Felipe Moura Brasil, o autor do termo “direita flaviana” (descrevendo uma direita que, supostamente, “protege” Flávio Bolsonaro de seuescândalo Queiroz) ao assumir a direção de jornalismo da Jovem Pan tenha contratado ninguém menos do que Alexandre Borges, o própriomarqueteiro de Flávio Bolsonaro, para virar comentarista em um programa logo anterior ao seu, junto a Vera Magalhães? E que logo na sua segunda inserção, o marqueiteiro flaviano tenha falado que “é melhor Jair articulando”, defendendo que a reforma da previdência só poderia sair com uns belos carguinhos para a turma do DEM e ao tucanato?
O comentarista do programa “Pingos nos Is” tem uma obsessão com Flávio Bolsonaro mesmo quando não há notícias envolvendo o senador carioca, “denunciando” quase diariamente uma suposta “rede de apoio incondicional” do primogênito do presidente (nunca mencionando seu antigo departamento de marketing, por estranho lapso).
Por mera coincidênciatambém, porque a Teoria da Mera Coincidência explica tudo, sua monomania com Flávio Bolsonaro e a criação do termo “direita flaviana”, que virou seu idioleto, vêm logo após o ex-secretário geral da Presidência Gustavo Bebianno ser afastado do cargo e, tal como o suplente de Flávio Bolsonaro, o empresário Paulo Marinho, romperem com Bolsonaro para se filiarem ao PSDB e passarem a apoiar o projeto de poder de Doria. Como explicamos emnossa revista, ambos são peças-chave para o plano de derrubar Bolsonaro e instituir um “parlamentarismo branco”, como já admitiu Kim Kataguiri, com o DEM e o PSDB governando do Legislativo. “Melhor Jair articulando”.
O jornalista que denuncia a suposta “direita flaviana” nunca, em hipótese alguma, faz alguma crítica a João Doria, a Paulo Marinho, a Gustavo Bebianno – pelo contrário, lhe deu todo destaque, assim que saiu do governo, para atacar Bolsonaro. E, claro, não parece encontrar graves problemas na equipe de marketing de Flávio Bolsonaro, mesmo com a obsessão com seu motorista. O fato é escondido como tabu. Bebianno, que quase todos apontam como o informante da imprensa no começo do ano (foi sair do governo e “vazamentos” encerraram quase imediatamente), foi entrevistado na Jovem Pan, mas o fato, ao invés de queimar a reputação de Bolsonaro, jogou para baixo a reputação de Felipe Moura Brasil.
Como disse o próprio Olavo de Carvalho, Felipe Moura Brasil é apenas um puxa-saco que trocou de saco.
Recentemente, nosso Juveninho escreveu artigo na Crusoé “denunciando” a tal “rede bolsonarista”, que a esquerda chama de “gabinete do ódio”, a grande teoria da conspiração brasileira. Para quem acreditava finalmente ter encontrado prova da existência de repasses de dinheiro público para blogueiros e tuiteiros criticarem opositores do governo, a reportagem foi só um festival de mensagens privadas vazadas de grupos de WhatsApp (modelo não muito distinto do jornalismo de mensagens roubadas de Glenn Greenwald, que elogiou Felipe Moura Brasil) e uma interpretação forçada pelo jornalista.
Tudo se dá na base dahiperinterpretação, que funciona da seguinte forma: o jornalista cria uma narrativa. Posta um trecho de uma conversa, como “prova” do que diz. Na seqüência, dá sua interpretação forçadíssima do que acabou de ler. E ao invés de analisar o fato, na linha seguinte, está comentando não mais a conversa, e sim a própria interpretação que deu, de estro próprio, aumentando a denúncia baseando-se na sua própria imaginação. É um misto de telefone sem fio com masturbação. Não à toa, Felipe Moura Brasil, ao invés de ser reconhecido como o grande investigador Sherlock Holmes do país, foi tratado então como jornalista de fofocas.
Desde o início, sua “reportagem” de privacidade roubada funciona pela hiperinterpretação. Juveninho defende que “os diálogos e confissões mostram como atua a militância virtual bolsonarista, abrigada e remunerada com dinheiro público em gabinetes políticos. Exatamente como operava, nos governos anteriores, uma parte da militância virtual petista.” Ou seja, haveria o pagamento em dinheiro do pagador de impostos para a formação de uma “militância virtual”. Quando se vai ver o que é “exatamente como nos governos anteriores”, trata-se apenas de assessores parlamentares que, também tendo redes sociais, defendem sua visão política, por sinal coincidente com a visão dos deputados com quem trabalham (por que será?), nas redes.
Ou seja, não se trata de “confissões”, muito menos de “militância remunerada com dinheiro público”: trata-se de pessoas com cargos públicos que exercem seu direito de se expressar politicamente (e de, por exemplo, discordarem do PT, da esquerda e da isentosfera de Moura Brasil). O que Juveninho defende no lugar? A proibição de tais pessoas de se expressarem? Censura?Tertium non datur, e um “estudante sério” deveria mostrar seu projeto.
Outro protótipo de hiperinterpretação: Moura Brasil afirma que Filipe Martins, assessor especial da Presidência da República, e o empresário Otávio Fakhoury “atuaram, por exemplo, pela queda do general Carlos Alberto dos Santos Cruz”, que “vinha se recusando a abrir as torneiras para os blogueiros amigos do poder”. Logo, as conversas que Juveninho vazou provariam que estariam todos “blogueiros” ávidos por dinheiro público, certo? Não, pelo contrário: a “prova” de que Santos Cruz era inimigo porque “se recusava a abrir as torneiras” de dinheiro público é apresentada com uma citação:
“Gasto com publicidade não é ‘passível de pressões’, diz ministro”. Era a resposta de Santos Cruz à seguinte pergunta dos repórteres do jornal.
Além das aspas erradas, nenhuma prova da tal “torneira” de dinheiro público, e sim uma frase solta em resposta a… repórteres de jornal. Moura Brasil não interpreta o fato, mas sobre-interpreta sua própria interpretação. Enquanto isso, aqui na vida real, Santos Cruz foi demitido justamente após tentar evitar que Letícia Catel cortasse quase R$ 12 milhões em contratos inúteis da Apex (o ex-ministro não queria um choque tão grande com o establishment). Ou seja, Catel “vinha se recusando a abrir as torneiras para amigos do poder”, mas como a queda de Catel não colocaria os amigos de Moura Brasil no poder, Juveninho dá a hiperinterpretação colocando frases em um contexto interpretativo que só existe em sua monomania.
E assim segue toda a reportagem da Crusoé, com recortes de grupos de WhatsApp com algum funcionário público falando em “atacar a esquerda” (oh, crime lesa-pátria! como ousam ser anti-esquerda?!), seguida de frases como “o aplicativo de mensagens [WhatsApp] era usado como um importante front para planejar os ataques” (como se tais “ataques” não ocorressem até em grupos de família). Grave denúncia de crime, hein? Ou quando Steh Papaiano critica desafetos, descreve com hiperinterpretação: “Referindo-se mais uma vez aos ‘influenciadores da direita’ que não aderem cegamente à família e ao governo Bolsonaro, completou…” Vamos falar de quem nãoadere cegamenteà família Marinho e ao governo Doria, além, é claro, de Gustavo Bebianno, tratado como um novo Churchill?
Além de outros fatos chocantes, como expor quem tenha “remuneração líquida de 5.109,18 reais” (praticamente o petrolão do Bolsonaro) a troco de nada, ou chamar de “estratégia de fingimento” quem não mistura seu trabalho com seu ativismo político (o que, além de ser praticamenteexigênciade decoro em quase todas as áreas, protege as pessoas de difamações como a de Moura Brasil), além de apresentar assim um desafeto: “tem remuneração bruta de 7.723,54 reais e chama de ‘retardado’ o deputado Daniel José, do Novo”. É basicamente o Quarto Reich quando um assessor parlamentar chama de “retardado” um político rival, quem não sabe disso? Tem que proibir o povo e quem lida com política de xingar políticos, ainda mais de um palavrão como “retardado”.
Já comentando sobre a atuação das assessoras Camila Abdo e Steh Papaiano, além de Paula Marisa, concursada, as “Divas da Opressão”, Moura Brasil escreve que “a opressão das três, porém, é contra os pagadores de impostos, que bancam seus salários, enquanto elas fazem militância política virtual”. Nenhuma prova de que nenhuma das três não trabalham (afinal, o povo pagaria seus saláriosenquantoelas fazem militância), e sim apenas frases de assessoras de deputados de direita contra a esquerda. Algo tão jornalístico quanto dois e dois serem quatro.
Até uma foto de Allan dos Santos, do Terça Livre, em sua casa, é postada, junto com o carro que utiliza. Tudo pelo terrível crime de estar no caminho do poder dos cupinchas de Moura Brasil.
Após uma piada do deputado estadual Douglas Garcia (PSL-SP), que disse que daria aumento para quem xingasse Danilo Gentili, Juveninho hiperinterpreta uma frase de um assessor seu escandalizado: “Se for condecorado com uma promoção, poderá gerar um gasto ainda maior que os 8.383,75 reais de sua remuneração bruta”. Estou quase gostando de pagar imposto.
Falando em piada, como comentar o parágrafo mais ridículo da história do jornalismo? Não se trata nem de mera hiperinterpretação, de telefone sem fio com masturbação: parece mesmo o Sérgio Mallandro ou o Alexandre Frota tentando fazer jornalismo investigativo. Moura Brasil comenta uma piada do perfil Leitadas do L0en, que reclama da Secom:
“Se esses malucos me derem um perfil da Secom vericado, um moto g novo [refere-se a um modelo de aparelho celular] eum salário mínimoeu desminto fake news o dia todo, discuto e humilho os montes de arroba verificada de inteligentinho que vai aparecer e ainda faço o café” [grifos nossos]. “Já pensou que onda? Passar o dia todo com um perfil do governo aloprando”, “porra, ia ser o mundo”, “basicamente é fazer o que tu já faz mas ganhando dinheiro pra isso”, escreveu. À diferença de outros companheiros que já conseguiram suas boquinhas, Leitadas era, ao menos até ali, um postulante à militância de gabinete. O wannabe militante de gabinete.
Depois de uma piada dessas, falando em gerir um dos perfis mais importantes da nação por um “salário mínimo” (sic), café incluso, Felipe Moura Brasil fala em “boquinhas”, em “postulante à militância de gabinete”, em “wannabe”. Realmente, a nação brasileira fica em choque com o escoamento de dinheiro público do gabinete do ódio de Bolsonaro!
Ah, a reportagem, mesmo bastante mal escrita (e Moura Brasil não costumava escrevertão mal), deu o prêmio “Comuniste-se” de jornalismo a Juveninho, do qual ele tanto se orgulha. Já entre seus próprios leitores, ao invés de convencer alguém do odioso “gabinete do ódio” e da “militância paga com dinheiro público”, Juveninho ficou conhecido apenas como fofoqueiro, mais um a ajudar a tratar o roubo de privacidade como normalizado no país. Mal sabe Moura Brasil do que uma de suas fontes, seu “amigo” a quem ele deu emprego, o acusa em grupos nos quais Juveninho não faz parte…
A rigor, se Moura Brasil está mesmo preocupado com o que “é bem mais relevante para os pagadores de impostos do Brasil”, nosso Juveninho deveria, por exemplo, investigar a jornalista Vera Magalhães, que reiteradas vezes faz ataques a Deus e o mundo, danado a entender fatos onde não os há (recentemente, perguntou se Filipe Martins “admite” que é gestor do perfil “isentões”, assim, por pura ilação jornalística, vai que…) e tem um salário bruto BEM MAIOR do que 5.109,18 reais (ou salário mínimo…) que Moura Brasil denuncia. Ah, e como está agora na TV Cultura, seu salário é dinheiro público. Preocupante ao pagador de impostos brasileiro.
Vera Magalhães, diga-se, recentemente também praticou mais um capítulo da hiperinterpretação fofoqueira que virou o “alto jornalismo” brasileiro.
Vera afirma que há um “ataque” coordenado ao ministro da Educação Weintraub pelos “olavistas” (mesmo que, curiosamente, foram poucos os seguidores de Olavo de Carvalho que tenham participado da crítica ao expurgo que o ministro pratica no MEC ao se livrar da TV Escola, e nem o próprio Olavo de Carvalho tenha endossado, preferindo a versão oficial do ministério). Para quem vem falando em “seita” e “ataques coordenados”, só foi prova de como na direita é cada um por si, Moura Brasil e isentoleft contra todos.
Ou seja, a própria forma como tenta descrever o fato é refutada pelo próprio fato. Não é preciso ter lido o Tractatus Logico-Philosophicus para perceber.
Como poucas pessoas entenderam o que está em jogo no caso – a manutenção da obrigatoriedade de uma TV educativa pela lei, que agora não será mais feita de maneiraterceirizada, mas internamente, por concursados,aumentando e não diminuindo gastos, além de permitir um poder maior à EBC, abarrotada de sindicalistas pró-Lula, mantendo toda a estrutura de lobby por uma educação centralizada e socialista – uma leitora desteSenso Incomum, sabendo de minha amizade com Filipe Martins, afirmou que eu deveria conversar com ele antes de publicar tais textos.
Repliquei: “Vai sonhando que não conversamos”, já que converso com Filipe rotineiramente, e Filipe não costuma discordar de mim, ainda que não tenha falado com ele sobre o texto que explica a conseqüência imprevista da decisão desastrada de Weintraub (e posso provar).
Pode-se até aventar que “conversamos” é idêntico no presente e no passado, mas qual hiperinterpretação que Vera Magalhães, outra praticante do jornalismo fofoca (e obsessiva com Filipe Martins) deu ao fato? De que meu texto (ou, em suas palavras, “ataque”) teria tido “aval” (sic) de Filipe, já que só converso com Filipe para receber ordens osbre quem “atacar” (curiosamente, por duas vezes públicas, em situações observadas por Vera, também afirmei que quem dá ordens em Filipe sou eu, e não ele em mim; por que Vera não cita ofato?).
Vera, é claro, assim como Felipe Moura Brasil, é doida para tirar Filipe Martins do governo, criando cizânias inventadas por ela própria para abrir caminho para a ascensão de Doria, provavelmente com conluio com Maia (veja em nossa revista). Vera já foi licenciada da Folha quando seu marido, Otávio Cabral, da Veja,assumiu a campanha de Aécio Neves(jornalismo de gabinete?). Tal como Moura Brasil serve como menino de recados de Bebianno, Paulo Marinho e Doria, é praticamente impossível testemunhar críticas de Vera Magalhães ao tucanato, como ela faz com perfis conservadores.
Assim, seu ataque tem método – e por isso interpreta qualquer conversa que tenha com Filipe como recebimento de ordens (e,ehrr, nemeuquero a queda de Weintraub, já que sei que não há substitutos).
Como Vera tem péssimo texto, pediu ajuda para Felipe Moura Brasil, que replicou em seu blog na Jovem Pan que não é menino de recados de Rui Falcão, como ficou conhecido (já que seu texto só serviu para o chefe do petismo dar mais um passo rumo à censura no Brasil naCPMI das Fake News), e sim eu que só receberia ordens de Filipe.
E tome hiperinterpretação de Juveninho: “Mas vai sonhando o leitor que o assessor presidencial não terceiriza os ataques para a tropa. Vai sonhando que a militância não atua como garota de recados de integrantes do governo, sobretudo quando sente a perda de potenciais boquinhas”. Boquinhas? Se o “jornalistaço” quiser tentar provar que desejo “boquinhas”, vai ficar só chupando o dedo. Mas é assim que se pratica difamação no jornalismo (artigo 139 do Código Penal, pena de detenção de três meses a um ano, ou multa) “de modo oblíquo” – mesmo que Moura Brasil nem se preocupe em disfarçar, crendo no poder de seu sobrenome.
Para prosseguir seumodus operandida cizânia, Juveninho termina citando uma frase tresloucada de Arthur Weintraub, e afirma: “a família Weintraub, pelo visto, já está consciente da companhia que tem”. Belo menino de recados.
De “sonetista do estudante sério” a motoboy de treta gourmetizado, a carreira de Moura Brasil só é algo por causa do seu sobrenome e porque brasileiros não têm os hábitos de americanos, de fazer boicote e exigir jornalismo de qualidade dos donos dos meios de comunicação (vide a recontratação de Marco Antônio Villa pela Jovem Pan de Moura Brasil), exigindo melhores apresentadores, não se contentando com uma versão bebiannizada da revista Tititi. E ainda tem trouxa que acredita nessas sumidades.
Bebianno, responsável por gravar o presidente e divulgar áudios para a imprensa, acusado ee vender vagas no PSL e criar um dossiê falso acusando o príncipe Orleans e Bragança de participar em crimes e orgias gays, morreu de infarto no dia 14/3.
Não é de hoje que a vassalagem da imprensa brasileira dá segurança para autoridades envolvidas nos maiores escandalos de corrupçãocontinuarem no poder. Não fosse por essa lambeção de botas, por essa defesa desavergonhada do que há de pior em benefício próprio ou em nome de ideologia, esse tipo de político nem concorreria a cargos públicos e renunciaria assim que surgisse a menor suspeita de ilicitudes.
Grande exemplo disso é a rádio Jovem Pan, com a bancada do 3 em 1. Carlos Andreazza e Vera Magalhães agem como assessores de imprensa de Rodrigo Maia sem o menor pudor.
Vera Magalhães, que não é só mais um rostinho bonito, disse que os bolsonaristas voltaram a "mirar" em Rodrigo Maia para tirar o foco de notícias requentadas contra Flávio Bolsonaro e Queiroz, seu ex-assessor.
O fato de Rodrigo Maia, também conhecido como Nhonho, ter aparecido como recebedor de propinas em mais uma delação (aparecia como "Botafogo" nas planilhas da Odebrecht e agora foi acusado pelo dono da companhia aérea Gol) não importa para a comentarista. Acho que como modelo Vera teria mais sucesso do que no jornalismo...
Ainda que estivesse correta a ridícula tese de que as críticas contra Maia foram motivadas por uma tentativa de tirar o foco de Flávio, alvo de acusações requentadas e já exploradas por meses, a questão com Rodrigo Maia é muito mais séria. O presidente da Camara é acusado de VENDER LEGISLAÇÕES. O deputado está sendo acusado de fraudar a democracia por dinheiro.
Andreazza, que recebeu Maia para uma "entrevista", não fez uma única pergunta sobre as muitas acusações que pesam sobre o político, dando a ele microfone aberto para propagar sua narrativa e atacar o governo sem contraponto, assim como seus colegas de Jovem Pan, Felipe Moura Brasil e Augusto Nunes, haviam feito alguns meses antes, com Gustavo Bebianno.