Augusto Nunes, que comanda a bancada na qual participam também Felipe Moura e José Maria Trindade, depois de muito relutar, confirmou laços e uma relação de "confiança" com Bebianno.
No dia anterior, o jornalista foi responsável por uma defesa vergonhosa do político acusado de participação em esquema de laranjas no PSL, partido que presidia. Apesar de todos os indícios apontando para a responsabilidade de Gustavo Bebianno, bastou que Bivar, seu companheiro de partido, assumisse a responsabilidade para que o jornalista desse o caso por encerrado, sem se aprofundar nos detalhes, avaliar a veracidade das afirmações de Bivar e da extensão da real participação de seu protegido no caso.
Bebianno é acusado de outras ilicitudes, mas Augusto, Felipe e a impresa não parecem preocupados em questioná-lo sobre os casos.
A revelação expõe a hipocrisia de Felipe Moura Brasil, que, em um tuíte convenientemente deletado, atacava quem afirmava que a defesa de Bebianno por parte de jornalistas se devia a interesse por manutenção de fonte. Durante seu 'surto' Felipe publicou dezenas de tuítes. Grande parte, incluindo ameaças de processo contra críticos e ataques a "Carluxo", foi apagada sem qualquer explicação do jornalista.
Um dos muitos tuítes apagados por Felipe durante seus dias de fúria e ego ferido
A enfática defesa de Bebianno foi feita por Augusto Nunes no Jornal da Manhã, da Joven Pan, em um comentário intitulado: "Responsabilizar Bebianno por caso de laranjal é absurdo, e o presidente sabe disso":
"Responsabilizar o Bebianno por este fato é absurdo e todos sabem disso, inclusive o presidente Bolsonaro. Ele fo presidente em exercício durante a campanha eleitoral do PSL para cuidar exclusivamente da campanha presidencial e de questões pontuais que surgissem em alguns estados.
Como ocorre em qualquer partido, não é o diretório nacional que decide quem vai receber quanto entre os candidatos. Quem decide isso é o diretório regional
No caso de Pernambuco, onde apareceram candidatos nesta situação - receberam muito, não tiveram voto nenhum -, aí está claro que isso foi feito pelo dono do PSL, que retornou à presidência, e que é Luciano Bivar. É coisa dele e todo mundo sabe disso -- aliás, o Bivar assumiu a responsabilidade pela distribuição das verbas e Pernambuco. Isso ocorreu em todos os estados.
Ainda assim, Carlos Bolsonaro, num tuíte publicado ontem, qualificou Gustavo Bebianno de mentiroso, porque o ministro havia dito que conversara... no... no... que havia dito que tudo estava bem no governo. Ele havia conversado com o presidente 3 vezes anteontem. Ele conversou 3 vezes com o presidente, de fato. Só que ele conversou trocando mensagens pelo Whatsapp, como acontece rotineiramente aí no Brasil inteiro, no mundo inteiro.
Para o presidente Bolsonaro e para o filho, isso não é conversar. Eles disseram que o Bebianno tinha dito que ele havia conversado por telefone. vle não usou este 'por telefone' em frase nenhuma. Disse apenas que havia conversado."
O argumento usado por Augusto Nunes para defender Gustavo Bebianno foi o de que, como presidente em exercício do PSL durante o período eleitoral, o político foi posto no cargo "para cuidar exclusivamente da campanha presidencial e de questões pontuais que surgissem em alguns estados" e que a declaração de Bivar seria o bastante para resolver o caso. Não é, como mostra a denúncia feita por Coronel Meira, candidato em Pernambuco:
"Um esquema milionário para rifar candidaturas pelo Brasil em troca de dinheiro. É o que denuncia o Coronel Meira, candidato a deputado federal pelo PRP em 2018.
Em entrevista ao “Portal de Prefeitura”, Meira afirma que sua candidatura ao governo de Pernambuco foi retirada pelo PRP após negociação feita entre o presidente estadual da legenda, Ernesto de Paula, e o PSB do governador Paulo Câmara. Tudo teria sido apadrinhado pelo presidente nacional da legenda, Ovasco Resende, ao custo de R$ 1,5 milhão.
Segundo Meira, também participaram da negociação, que ele chama de “quadrilha” responsável por orquestrar as eleições no Nordeste, Julian Lemos (PSL), Gustavo Bebianno, Antônio de Rueda (PSL) e o deputado federal Luciano Bivar, presidente do PSL, que teria arrebatado um terreno no Recife Antigo como pagamento das negociações.
A manobra fez o PRP retirar a candidatura de Coronel Meira, passando a integrar a base de apoio do socialista Paulo Câmara, reeleito governador.
Além da negociação no estado de Pernambuco, Bivar também teria rifado a nomeação do General Augusto Heleno (PRP) ao cargo de vice-presidente na chapa do Presidente Jair Bolsonaro (PSL), que segundo Meira, não sabia das negociações."
Tanto Augusto Nunes quanto Felipe Moura Brasil ignoraram o caso durante entrevista com Bebianno hoje.
Augusto também desinforma quando fala sobre a atuação de Carlos Bolsonaro no caso.
O vereador carioca, ao desmentir Bebianno publicamente, classificou como mentira que "Gustavo Bebbiano [sic] ontem teria falado 3 vezes com Jair Bolsonaro para tratar do assunto citado pela Globo e retransmitido pelo Antagonista". Ou seja, o 'laranjal'.
Carlos não negou que tivesse havido comunicação entre o pai e Bebianno, apenas se limitou a negar que tivesse relação com as denúncias de atos ilícitos.


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